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BRASIL, Nordeste, FORTALEZA, BENFICA, Mulher



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...deixa os choros e os espantos, que também és pequeno e feres tanto...


?...

Às voltas com a verdade do universo? Nem sei se ainda mais,,, antes eu tinha tanta certeza, era preto no branco, tinha tantas certezas... e agora quanto mais vagueio mais vejo como o gato é quem está certo em ver a rua de cima do muro: visão privilegiada.

E daí a licença poética mesmo na prosa, daí lacunas de sentidos, daí um surrealista ou dois, daí um idealismo ou dois, daí a social e a analítica, daí uma pai e um mãe, daí um sotaque daqui e de lá e de canto nenhum, daí um sono e um não dormir, daí querer e evitar, daí gênio e tombamento, daí três vírgulas e um ponto de interrogação... daí que nem eu me entendo;

 Salvador Dalí, Rosto Paranóico

Será que eu tenho jeito? Sequer me comovo... ou então me comovo tão longe de mim que nem vejo, descomunicada de mim.



Escrito por Nêga às 05:35
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Louca, bêbada, duvidosa, negligente, musical, interessante e confusa.

René Magritte, As Ligações Perigosas

Escrito por Nêga às 05:10
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Meu primeiro Gus Van Sant

Van Sant é, há tempos, um dos meus diretores favoritos. Mais precisamente desde que assisti a "Garotos de Programa" pela primeira vez, em casa, com a Santa Su. Na época eu era fã tanto do River Phoenix quanto do Keanu Reeves e quando soube que eles tinham feito esse filme juntos, fui ver, resultado: agora fã de Gus Van Sant também! Gostei do ritmo, do tratamento das questões, da mensagem, tudo caprichado... as atuações, a plástica, as falas, aquele universo incomum (pra mim) e as brechas de sentido que são uma delícia de preencher. Sim, é uma peça e tanto... E o melhor é que a maestria de Van Sant não fica por aí: "Elefante" e "Até as vasqueiras ficam tristes" pertencem também à minha lista dos mais mais. Drugstore Cowboy não lembro direito, mas lembro que gostei (não tanto quanto os outros); já "Um sonho sem limites" é uma coisa esquisitíssima que nem parece Gus. Meio que podia ser de qualquer um, claro que existe seu toque competente e tal, mas tem um clima de rendição: foi quando ele se arriscou a sair do cinema independente e fechou contrato com um estúdio grande (sei lá qual). Para mim "Um sonho...", embora seja até bom, é o ponto baixo de sua carreira, embora comercialmente um ponto alto (essa ironia também aconteceu na carreira de David Lynch, mas isso é outra história...).

Tem ainda "Encontrando Forrest" e "Gênio Indomável", que são ótimos, mas um mundo estranho para sua mão, quer dizer, gostei dos filmes independentemente de terem sido dirigidos por ele ou não, e de fato fiquei surpresa por saber que eram seus, porque são muito distantes dos outros em termos de temática e clima. Pelo menos à primeira vista: na verdade está lá ainda o universo dos esquisitos e o rodar paciente de sua câmera, como quem olha pela janela e aceita o que vê; a diferença é que, nestes casos, ele parece que estava olhando pela janela da casa dos outros e portanto a discrição e a distância são maiores.

De "Psicose", sua refilmagem do clássico de Hitch, só vi o final, na TV: me pareceu bom, mas sem-ver-nem-pra-quê. Não vi motivo para refilmar Hitchcock se não ia mudar alguma coisa. Bem, tenho que ver o filme inteiro algum dia! Já o melhor de seus filmes que eu ainda não vi é "Uma voz nas sombras", e a julgar pelo roteiro simples, acho que vou adorar!

A nova então é que finalmente alguém de bom coração resolveu colocar disponível para baixar da Internet "Garotos de Programa", com qualidade muito boa e legendas em português (... de portugal, mas estou ajeitando) e assim vou realizar um dos meus pequenos grandes sonhos de consumo: ter, para todo o sempre (ou até durar o DVD), na minha filmoteca O MEU PRIMEIRO GUS VAN SANT!!!

 



Escrito por Nêga às 00:42
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"Um lugar que não me pertence" ou "Mavik e a epistemologia angustiante"

René Magritte, Os valores pessoais

 Eu nem queria tanto ir: Nação Zumbi, sem Chico, saiu do mangue e virou gabiru. Quase não não enxergo mais mangue no beat da Nação, concentrada numa percussão agressiva de raízes mais secas. Um outro Chico, o César, este sim bem vivo, veio molhar Fortaleza com uma música fluida, arte-bela, a que eu não fui ouvir porque já havia me comprometido, não com a Nação, mas com uma amizade bela-estranha mais importante que a ausência ou presença de qualquer desses Chicos.

De qualquer modo a chegada à Paria do Futuro nos mostrou uma fila quilométrica embalada por um reaggae que - grazadeus - pelo menos não era dos piores, não assim de longe. A quilometricidade nos estimulou a pensar um "plano B": Mavik's, bar que eu ainda não conhecia e que Mazelita gosta. Ok, potencialmente divertido, apesar da banda sem graça e de cobrar a entrada (detalhe: preços diferenciados por sexo), se eu fosse uma pessoa de firme vontade não teria entrado, aliás, se eu fosse uma pessoa de firme vontade já teria parado de fumar, beber cerveja, faltar aulas para dormir, já teria me formado, emagrecido, economizado mais dinheiro, já teria um estágio - ou emprego que gostasse - tudo isto com uma firme vontade, mas eu sou uma pokémon e sei que vou evoluir!

Por hora admito que sou um pouquinho Maria-vai-com-as-outras e, quando penso na estranha high-society fortalezense - que inclui saltos finos, roupas cuja estampa é o nome do fabricante, atenção aos lugares da moda e muito glitter - tenho a impressão de que seria mais fácil viver por ali... "conveniente" talvez seja uma palavra melhor, ou "prático"... ou "simples", o que é tentador... mas aí vem meu maldito senso crítico atrapalhar o idílio com o mundo-das-pessoas-que-se-apresentam-sob-sobrenomes-que-servem-menos-à-facilidade-de-identificação-que-à-indicação-de-uma-genealogia-ou-manchete-de-jornal e noto que, no Mavik's, não reconheci sequer um rosto, embora tenha morado naquela região vários anos; enquanto que, em 20 minutos parada na fila da Biruta, tenha encontrado três amigos e visualizado alguns conhecidos. Realmente aquele lugar não me pertence. Então me lembro de como é rarefeito o ar naquela superficialidade e de como isso é puoco para mim. Maria vai-se embora com as outras e estou em pleno bar de sete dinheiros o ingresso (para mulheres), com minha rasteirinha recém-saída de uma palhoça no Santo Amaro, discutindo Jung e explicando a Mazelita como minha angústia epistemológica desequilibrou a ontológica a ponto de, finalmente, ter agendado a análise para as quartas à noite. É, esta é a mais nova novidade, estou trabalhando as outras e um sonho me disse que posso encarar mesmo o que assusta todas as pessoas - o resultado é encontro - mais ainda, que podemos todos e todas alcançar isso com disponibilidade e respeito pelo que a vida nos apresenta, seja uma fumacinha verde formando rostos humanos, seja um soldado-boneco de acrílico azul que você descobre ser um rapaz de quem gosta (num outro sonho): encarar o que irrita ou assusta, dialogar com a contradição, aceitar o incognoscível, é a isto que penso estar sendo provocada.



Escrito por Nêga às 20:20
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www.post.sp

      Recife foi eleita por um desses órgãos internacionais importantíssimos a quarta pior cidade do mundo - é Chico, o Science, quem me dá a informação - e a despeito disso, saí de lá dizendo que sim, moraria. Porque Recife Antigo é lindo, porque as ladeiras de Olinda são exuberantes, porque a cada passo está algo a que se olhe, se ouça, se pertença... além da pós-graduação em Psicologia mais respeitada de todo o Nordeste. Mesmo assim prefiro Fortaleza e, a menos que seja para um mestrado, saio daqui pra lá não.

     Mas São Paulo, valha-me Deus, é tão grande, tem tanta coisa, que chega cansa e angustia; dá vontade de comê-la inteira, de uma garfada só, mas é um prato enorme, muito bem servido, nutritivo... e caro! Então nestas duas semanas houve dois dias soltos em que apenas dei passeios rápidos, admirando os concretos e abstratos da vizinhança - adoro! - meio que de ressaca, estudando e vendo TV (aqueles seriados que eu mais gosto e que só se vê a cabo), de resto me lambuzei toda: Pinacoteca do Estado, MASP, Galeria Fortes Villaça,CCBB, HSBC Belas Artes, MuBE, MIS, Basílica de São Bento, Catedral Metropolitana da Sé, Pateo do Collegio (Capela + Museu Padre Anchieta), Memorial da América Latina, Vale do Anhangabaú, Edifícios Copan, Martinelli e Itália, torre do Banespa, rua 25 de Março, Mercado Municipal, parque do Ibirapuera, e fora que só andar, pelo Centro ou pelos bairros, é ótimo, pelos prédios e jardins que se encontra. Tá certo que a cidade também tem seu lado ruim e, exceto pela incursão pela 25 de Março, só vi do bom. O fato é que ela tem a cara suja: não se pode sair de chinela porque os pés ficam pretos de fuligem (sério! uma ida ao supermercado já é suficiente) e a lua cheia não é cor de prata, é algo entre amarelo e marrom.

     Avenida Paulista? Sim, dá pra sentí-la como um coração sujo e pulsante de pressa, acesso e sisudez. No meio dela ficam o MASP e o praque Trianon, um de frente pro outro: oásis. Ela começa no Paraíso e termina na Consolação, queda e redenção em menos de meia hora, a pé.

     Sampa assusta e morde, especialmente no bolso da criatura afoita, mas amansa, é só pegar o ritmo que a cancha vem junto. Para quem gosta de urbes é, voltando à primeira metáfora, um prato cheio, pois "quem vem de um outro sonho feliz de cidade aprende depressa a chamar-te de realidade" e isso sequer é metade do que há para ser dito, seja sobre coisas e lugares, seja sobre as pessoas que conheci, como Maria Alice no avião, Maria José e Mariana no Congresso que aliás foi maravilhoso, Henrique e Abrahão no Mosteiro, Brunno Monteiro no MIS e, claro, o Marcelo, o Allan, o Paulo e Álvaro, o Boy Escândalo; ou reencontrei, como o Jony, a Patrícia, o Márcio, o Leonardo e, aff, Eugênia, que mora em Fortaleza mas só vi aqui. Tem também o pessoal da UFC, com quem eu só cruzei (10mil pessoas no Congresso, tem noção?). Talvez eu vá lembrando e postando algumas coisas, o resto, só com aperitivo ou numa boa caminhada (sem ladeira, por favor!!!), porque, sabe como é, programa de paulistano é andar ou comer, ainda mais na segunda-feira: dizem que São Paulo não pára? Mentira, pára na segunda, inacreditável! As opções do que fazer reduzem drasticamente visto que todos os teatros, centros culturais, museus e até alguns cinemas fecham!

     Mas agora de boa, vou ralar peito, ahhh mulheque!

     Hihihi.



Escrito por Nêga às 09:11
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Pessoa eu, Pessoa Fernando.

PELO MENOS

 

Pelo menos, acabou o oco;

Pelo menos, eu vi o céu;

Pelo menos, me coloquei;

Pelo menos, eu chorei;

Pelo menos, foi possível;

Pelo menos, agora não é mais.

Pelo menos, eu disse sim;

Pelo menos, eu vi a mim;

Pelo menos, cometi um crime;

Pelo menos, cumpro a pena;

Pelo mais, recuso anos adicionais.

 

 

MAR PORTUGUEZ

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão resaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,

Mas nelle é que espelhou o céu.

 



Escrito por Nêga às 15:06
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Nesses seios tem todo o veneno que você ama e quer

HUNG UP

Time goes by so slowly, time goes by so slowly, time goes by so slowly, time goes by so slowly, time goes by so slowly, time goes by so slowly... (O tempo passa tão devagar...)

Every little thing that you say or do... I'm hung up, I'm hung up on you! Waiting for you call, baby, night and day, I'm fed up, I'm tired of waiting on you! (Cada coisinha que você diz ou faz... Desliguei o telefone, desliguei o telefone para você! Esperando sua ligação, bebê, noite e dia, estou cheia, estou cansada de esperar por você!)

Times goes by, so slowly for those who wait, no time for hesitate! Those who run seem to have all the fun good time, I'm caught up, I don't know what to do! (O tempo passa tão devagar para quem espera, não há tempo para hesitar! Quem corre parece ter toda a diversão, fui pega, não sei o que fazer!)

Ring, ring, ring, goes the telephone, the lights are on, but there's no one home. Tick, tick, tock, it's a quarter for two, I'm donne! I'm hanging up on you! (Ring, ring, ring, faz o telefone, as luzes estão acesas, mas não há ninguém em casa. Tic, tic, tac, são vinte para as duas, cansei! Estou desligando o telefone para você!)

I can't keep on waiting for you, I know that you're still hesitating. Don't cry for me, 'cause I'll find my way. You'll wake up, but it will be too late! (Não posso continuar esperando por você, sei que ainda está hesitando. Não chore por mim, vou encontrar meu caminho. Você vai acordar, mas será tarde demais!)

Time goes by so slowly, time goes by so slowly, time goes by so slowly, time goes by so slowly... (O tempo passa tão devagar, o tempo passa tão devagar, o tempo passa tão devagar...)

Vênus Pequena, Velazquez

"Ok, I'm ready to jump, just take my hand, get ready..." (Ok, estou pronta para pular, apenas pegue na minha mão, se apronte...)Jump

Sou movida a ritos e novidades, não sei como isso combina, como diria Chicó, só sei que foi assim. Tenho um pescoço alvo e comprido, que ofereci a um Vampiro que nem se deu conta de que me mordeu (será?). Ele sabe da minha virulência e por isso ficou assustado, mesmo os predadores têm medo de bichos muito coloridos... Sou dramática, de cores fortes e singulares, sou plural e conjugada em várias vozes.

Cruzamento interespécies é infértil, vou cuidar de mim, ninguém tá me pagando a hora preu bancar o ouvido pra quem não quer me ouvir. "Mereço ser saboreada e preservada. E mereço bom alimento também. Simbiose." Mereço companhia. Mereço saúde. "De lonje ascena e me lembra ainda há porto adiante, mesmo que distante." Cara Amiga, companheira, parceira, amada. Bailarina, dançamos nosso pas-de-deux.

"This is who I am, you like it or not, you can love or leave me, 'cause I'm never gonna stop, no, no, no, you know." (Esta é quem eu sou, você goste ou não, pode me amar ou me largar, porque eu nunca vou parar, não, não, não, você sabe.) Like it or not

Trilha sonora do post: álbum Confessions on a dance floor (Confisões numa pista de dança), Madonna.   



Escrito por Nêga às 01:12
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"Donna mi priegas", Paulo Leminski

 

 

se amor é troca

ou entrega louca

discutem os sábios

entre os pequenos

e os grandes lábios

 

no primeiro caso

onde começa o acaso

e onde acaba o propósito

se tudo o que fazemos

é menos que amor

mas ainda não é ódio?

 

a tese segunda

evapora em pergunta

que entrega é tão louca

que toda espera é pouca?

qual dos cinco mil sentidos

está livre de mal-entendidos?



Escrito por Nêga às 22:25
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Dois assuntos com Paulo Leminski

nem toda hora 

é obra 

nem toda obra 

é prima 

algumas são mães 

outras irmãs 

algumas  

clima 

 

Sou poeta, sei disso há bastante tempo, agora a música também tá querendo saber.

 

Ai daqueles

Que se amaram sem nenhuma briga

Aqueles que deixaram

Que a mágoa nova

Virasse a chaga antiga

 

Ai daqueles que se amaram

Sem saber que amar é pão feito em casa

E que a pedra só não voa

Porque não quer

Não porque não tem asa.

Ainda estou por saber disso de que o poeta fala.

 



Escrito por Nêga às 21:21
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Mexo, remexo na inquisição, só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão!

Eu sou pau pra toda obra

Deus dá asas à minha cobra

Minha força não é bruta

Não sou freira nem sou puta

 

Porque nem toda feiticeira é corcunda

Nem toda brasileira é bunda

Meu peito não é de silicone

Sou mais macho que muito homem

 

Sou rainha do meu tanque

Sou Pagu indignada no palanque

Fama de porra-louca, tudo bem

Minha mãe é Maria-ninguém

 

Não sou atriz-modelo-dançarina, meu buraco é mais em cima.



Escrito por Nêga às 14:06
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Taqui eu, que mereço mais.

Ficou difícil... tudo aquilo, nada disso... sobrou meu velho vício de sonhar, pular de precipício em precipício - ossos do ofício - pagar pra ver o invisível e depois enxergar que é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor. Não cabe numa rima de poema de tão pequeno, mas vai e vem e envenena e me condena ao rancor.

De repente, cai o nível e eu me sinto uma imbecil repetindo, repetindo, repetindo, como num disco riscado, o velho texto batido dos amantes mal-amados, dos amores mal-vividos... e o terror de ser deixada, cutucando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida. E é pra não ter recaída que não me deixo esquecer que é uma pena, mas você não vale a pena...



Escrito por Nêga às 13:49
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Taqui ele, que parece que existiu só na minha cabeça, ou em outro lugar, e o rancor troando.

Não, ele não vai mais dobrar, pode até se acostumar, ele vai viver sozinho. Desaprendeu a dividir.

 

Foi escolher o mau-me-quer entre o amor de uma mulher e as certezas do caminho. Ele não pôde se entregar e agora vai ter que pagar com o coração. Olha lá, ele não é feliz. Sempre diz que é do tipo cara valente, mas veja só, a gente sabe, esse humor é coisa de um rapaz que sem ter proteção foi se esconder atrás da cara de vilão. Então, não faz assim rapaz não bote esse cartaz, a gente não cai não.

 

Ê! Ê! Ele não é de nada, essa cara amarrada é só um jeito de viver na pior. Ê! Ê! Ele não é de nada, essa cara amarrada é só um jeito de viver nesse mundo de mágoas. Só come marmelada...

 



Escrito por Nêga às 13:45
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Hora das bailarinas reajustarem as sapatilhas.

Dancer Readjusting her Slipper by Degas

Culpa, dor, companhia, despedidas. O dia será de ritos.

Two Dancers Resting by Degas

 



Escrito por Nêga às 01:19
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Livro da semana: "The Tao of the Pooh" (tipo "O Tao do Ursinho Puff")

"Viemos lhe desejar uma Feliz Quinta-feira!", disse Puff, enquanto [o Coelho] entrava e saia de sua toca uma ou duas vezes só para garantir que poderia sair mais uma vez.

"Por quê, o que vai acontecer quinta-feira?" perguntou [o Coelho], e depois que o Puff explicou [que era só uma quinta-feira] e o Coelho, cuja vida era feita de Coisas Importantes, disse "Oh, eu pensava que tinham vindo por conta de uma coisa de verdade", eles sentaram um pouco... e pouco-a-pouco Puff e Leitão recomeçaram [a caminhar]. O vento estava atrás deles agora e eles não precisavam gritar.

"O Coelho é sabido", disse Puff pensativamente.

"Sim", disse Leitão,  "O Coelho é sabido."

"E ele tem Cérebro."

"Sim", disse Leitão, "O Coelho tem Cérebro."

Houve um longo silêncio.

"Eu acho", disse Puff, "que é por isso que ele nunca entende nada."

"Acho tão engraçado...", disse Neilouca deparada com a vida, porque ela faz isso de vez em quando e as pessoas nem sempre alcançam...

*Alguém sabe o nome do Coelho na versão brasileira? Assim que eu souber refaço o post.



Escrito por Nêga às 04:40
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Idéia: "Cinema & Psicologia: a sétima arte como meio de comunicação na construção do Eu"

Estou no céu, talvez nunca tenha me acontecido um encontro teórico mais prazeiroso! E com o CNPq no meio? Maravilhasssssss!

A proposta vai ficando melhor delineada (e mais bonita) a cada conversação com o "chefe". Já tenho até uma parceira, que não conheço, mas mandei e-mail pra gente se encontrar; encontro esse, óbvio, no cinema! A póbi talvez não teja nem sabendo desse movimento todo, porque a idéia tava só na cabeça do César, pelo menos até a chegada da maravilhassss, esta que vos bloga. Eu precisava de um movimento desse pra voltar o tesão pela facul, pelamôrdi!

A parceira cursa Comunicação, justamente o que eu já tinha pensado e até conversado por cima com um amigo lá da Comu., só que ainda tá no 1º semestre e não demonstrou assim muuuito interesse... tem nada não, o mundo é tão belo que as coisas acontecem da melhor maneira: se o colega tivesse topado, o projeto não estaria vinculado a nenhum núcleo (no caso o LESC - Laboratório de Estudos Sobre a Consciência), nem ao CNPq, ou poderia até ser vinculado, mas com o trabalho de encontrar orientador, submeter o projeto e tudo mais. Ser convidada pra fazer o que sempre sonhou, não tem preço! Pra todo o resto existe Mastercard. 

Vamos exibir filmes para o pessoal da facul e também para a comunidade do Bom Jardim, suscitando debates. Ai, ai, que frio na barriga, nunca fiz isso! Já participei (em alta voz até) de debates sobre filmes, mas do lado da mesa em que estava o público, aí vai uma grande diferença! Ui, ai, ui! Que estimulante esse frio na barriga! Quero muito conhecer a comunidade, reconheço meu preconceito e quero conhecer suas demandas. Sinto que será um trabalho lindo e já encontrei teóricos que trabalham com uma perspectiva semelhante (embora sem a abordagem comunitária). O projeto une coisas que eu amo e já é algo que amo antes mesmo de começar: está sendo gestado há bastante tempo. Chega a hora do acalento.

O olhar é que faz as coisas bonitas. Não sei de quem é essa foto, mas o que leio nela é a beleza do cotidiano, e quero inventar beleza na comunidade do Bom Jardim (que flores poderei encontrar por lá?)

 



Escrito por Nêga às 14:46
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