| |
| ...deixa os choros e os espantos, que também és pequeno e feres tanto... |
Voou, voou, foi parar na mão de quem?
Ano passado (até parece que está muito distante!), fiz um amigo: ele não me disse seu nome, mas o chamarei de Phyllis.
Ele é baixinho, desajeitado e entrou aqui em casa de repente, meio desorientado e muito agitado, ia de um lugar para o outro, tudo era novo! Perls ficou fascinado com aquele jeito alegre e esvoaçante, queria tomá-lo para si, isso podia ser visto em seus olhos e assustou muito nosso novo amigo. Então em um descuido, Phyllis rebaixou-se e Perls machucou com maneiras bruscas, foi repreendido, mas Phyllis estava abalado, assustado, trêmulo, catatônico e inerte, tive medo que estivesse mortalmente ferido! Trouxe-o para junto de mim buscando consolá-lo... pobre amigo... vi que por mais encantadora que fosse sua companhia eu não poderia desejar ter os dois, Phyllis e Perls, ao meu lado. Haveria sempre conflitos graves a impedir a convivência. Diante da situação ele se escondeu num cantinho no quarto dos meninos e só saiu quando Perls estava longe.

Levei-o, ainda magoado, à varanda, diante do céu azul belíssimo do fim-de-tarde, e tivemos uma longa conversa, eu lhe dizia: você é forte, é lindo, tão jovem e de horizontes tão largos... A última coisa que quero é restringir seus ares! Você tem a liberdade de ir ou de ficar e eu não tenho idéia de como pode ser sua vida fora daqui - as aventuras que viverá ou as paisagens que verá - mas nesta casa, meu amigo, não tenho como protegê-lo, veja: o perigo está à espreita...
Disse-lhe respeite sua natureza, ouça seus instintos e senti que crescia nele a cada palavra uma maior coragem. Ergueu o corpo esguio com altivez e determinação, olhou para frente e... alçou um lindo e velossíssimo vôo!
Não sei, mas penso ter visto ainda um aceno apressado com a asa direita e um chilrear agradecido que me indicou que bela é a vida quando temos amigos que, embora possam voar para longe, tornam grande e magnífica nossa existência em nos permitir conhecê-los e conviver com eles, nem que seja pela eternidade fugáz de uma hora, três dias, dois anos ou qualquer coisa tão pouco importante quanto uma contagem de tempo.
Para Jony, Márcio, Patrícia e Phyllis, que saibam voar sem esquecer antigos endereços ou novos-pretensos-velhos amigos, saudades.
Escrito por Nêga às 19:20
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|